Escola Básica Afonso de Paiva - Castelo Branco
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Breve introdução - a necessidade da existência do Projeto

A Escola, entendida como espaço de cidadania, de convívio e de educação, necessita de um Projeto que sugira temas prioritários a abordar no âmbito da "Educação para a Saúde", dinamize atividades que promovam a saúde individual e/ou coletiva de todos os que fazem parte da comunidade educativa e que faça a articulação das iniciativas entre os vários ciclos de escolaridade. Face à legislação em vigor, os temas considerados prioritários são a "Alimentação e Actividade Física", "Consumo de substâncias psicoativas", "Sexualidade", "Infeções sexualmente transmissíveis, designadamente VIH/SIDA" e "Violência em meio escolar". A seleção dos conteúdos para cada um destes temas teve em consideração as caraterísticas da Comunidade Educativa do Agrupamento e as especificidades das áreas onde serão prioritariamente desenvolvidos - nas disciplinas curriculares (C. Naturais ou outras), em Cidadania e Desenvolvimento, no Vós Alunos e/ou como atividade extracurricular.

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domingo, 4 de junho de 2017

Comportamentos desajustados - O que fazer?

Neste vídeo encontramos várias afirmações que nos fazem rever certas ideias nem sempre corretas acerca dos comportamentos, como, por exemplo, a hiperatividade, e também diversas orientações. Citamos uma delas: "Todos dizem que o rio é violento mas ninguém culpa as margens que o comprimem." (Brecht)
[Trabalho realizado pela prof.ª Basilina Oliveira e a psicóloga Cidália Ribeiro, do Agrupamento de Escolas Afonso de Paiva, no âmbito do projeto de promoção do sucesso escolar "Gerir e Intervir" / Ano letivo 2016-2017 / Também disponível no Youtube do AE Afonso de Paiva:https://www.youtube.com/watch?v=Dj02efaQIhc]


domingo, 17 de julho de 2016

Gestão de Conflitos

"A virtude moral é uma consequência do hábito. Nós nos tornamos o que fazemos repetidamente. Ou seja: nós nos tornamos justos ao praticarmos atos justos, controlados ao praticarmos atos de autocontrolo, corajosos ao praticarmos atos de bravura."
Aristóteles
 Ao longo da nossa vida, desenvolvemos propensão natural para viver e comunicar, criando aptidões e competências em contacto com outros. Na convivência diária, foram-se incrementando relações interpessoais desde as épocas mais remotas e, com elas, as divergências, as competições e os conflitos.
O homem é essencialmente sociável, pois sozinho não satisfaz as suas necessidades elementares, nem realiza as suas aspirações mais elevadas.
O conflito surge nas situações em que forças, seres, interesses, sentimentos ou outros elementos, com poder de ação, se encontram em posições antagónicas, divergentes e procuram interesses diversos.
Entre as diferentes opiniões conhecidas sobre o conflito, Freud referia a importância da educação na formação do aluno em ambiente preventivo de conflitos. Assim, a educação exerceria um papel importantíssimo em relação à formação dos alunos, podendo influenciar o seu comportamento social de forma positiva ou negativa. Seria positiva, na medida em que orientar e prevenir conflitos individuais traria benefícios ao fluir do inter-relacionamento dos grupos. Seria negativo quando ocorressem desequilíbrios e não se conseguissem promover ações criativas.
Na escola os conflitos têm origem em problemas como falhas na comunicação entre aluno/professor, profissionais de educação e outros membros da comunidade escolar; na ausência de ações continuadas para alunos, professores, pais/encarregados de educação, assistentes operacionais, planos de intervenção inadequados ao grupo alvo (alunos), na resistência à mudança em ambiente escolar e também nas desigualdades sociais.
Os conflitos em contexto educativo que ocorrem com maior frequência estão relacionados com situações de comportamentos de oposição que sustentam crises, e atitudes que geram indisciplina nas salas de aula.
É importante que todos os profissionais que trabalham com alunos possuam conhecimentos básicos quanto à origem de conflitos no ambiente escolar e as condições psicológicas que envolvem o indivíduo em convívio social.

Porque surgem os conflitos?
Porque todos nós temos diferentes pontos de vista, variados interesses e necessidades, expetativas diversificadas e diferentes formas de agir e de pensar. Podem ser entendidos ainda como causas de conflitos direitos não atendidos ou não conquistados, mudanças externas e espontâneas, ansiedades e medos, lutas pelo poder, falta de informação, mau ambiente no trabalho, divergências de objetivos, esforços não valorizados, diferenças culturais e individuais, entre outras.
O conflito em ambiente escolar influencia de forma significativa os ritmos normais no que diz respeito a uma aprendizagem eficaz e funcionamento equilibrado, não só dos alunos, mas também dos professores, dos órgãos de gestão e demais funcionários.

Entender o Conflito
Para um entendimento mais preciso sobre a dinâmica dos conflitos, deve ter-se uma visão abrangente das suas inúmeras possibilidades. É necessário reconhecer que existe um modo destrutivo e outro construtivo de proceder. O facto de os conflitos fazerem parte da vida não significa que sejam necessariamente destrutivos, no entanto, muitos conflitos têm efeitos negativos e prejudiciais (consomem muita energia individual).
Alguns ainda os encaram como resultante da ação e do comportamento de pessoas indesejáveis, associados à agressividade, ao confronto físico e verbal e a sentimentos negativos, considerados nefastos ao bom relacionamento entre as pessoas e, consequentemente, ao bom funcionamento das organizações.
A utilidade da existência de um certo grau de conflito é reconhecida para a vitalidade das organizações, grupos e, muitas vezes, até no incremento das relações interpessoais. Pode ser visto como impulsionador de um processo que começa na perceção e termina com a oferta de uma ação adequada e positiva, fonte de ideias novas, podendo levar a discussões abertas sobre determinados assuntos, permitindo a expressão e a exploração de diferentes pontos de vista, interesses e valores.
Uma organização, por definição, é um lugar onde pessoas se reúnem tendo na base a prossecução de objetivos comuns. Um lugar que reúne os recursos necessários e são feitos esforços coordenados, sem os quais dificilmente se conseguiriam alcançar tais objetivos.
O caminho passa, necessariamente, pela construção de saudáveis e produtivas relações interpessoais e em saber como gerir adequadamente os conflitos no trabalho. Se isto vale para o profissional comum, amplifica-se para quem ocupa cargos de gestão.
A esse propósito, podemos ter em conta algumas orientações/ recomendações:
Cooperação
Vai ao encontro de soluções conjuntas e de maior valor antes de competir pela obtenção de melhores resultados.
Promover, decidir e adotar uma postura flexível. “Promover “ significa realizar algo diferente, ter objetivos bem definidos e conseguir determinar como o processo irá ocorrer.
Proatividade
Vontade de fazer acontecer; propósito; reflexão sobre o caminho certo e responsabilidade são algumas das atitudes necessárias. Aqui significa ter maior adaptabilidade, aquisição de competências adicionais, menor fadiga (pela variabilidade de tarefas) e aplicar os seus conhecimentos às oportunidades de melhoria.
Capacidade de resolver os problemas que lhes são confiados
Para tanto, é necessário possuir competências técnicas e comportamentais, e focar sua atenção e energia na solução do problema.
Adquirir uma melhor perceção de si e do outro
Através da partilha e descobrindo crenças e valores, tendo em conta formas diferentes de pensar, como se comunica e se age.
Para que a comunicação ocorra, é necessário desenvolver a capacidade de ouvir o outro adequadamente, expressar pensamentos, ideias de forma clara, lidar com as emoções e revelar-se aos outros.
A informação simplesmente transmitida, mas não recebida, não foi comunicada. O comunicador eficaz é um bom ouvinte, tem espírito aberto, é empático, não interrompe e faz perguntas inteligentes.
Inteligência Emocional
A inteligência emocional envolve reconhecer uma emoção quando a sentimos, entender melhor o que os outros sentem, exprimir irritação com algum autocontrolo, conseguir tranquilizar-se, ser mais criativo, possuir uma maior flexibilidade na procura de soluções.
Saber dar e receber feedbacks
É uma boa forma de facilitar o processo de mudança das pessoas.
E lembre-se que os elogios podem e devem ser ditos em público, mas críticas não.
Assertividade
As pessoas assertivas são capazes de defender os seus direitos, interesses, de exprimir os seus sentimentos, pensamentos e as suas necessidades de uma forma aberta.
A pessoa assertiva está aberta ao compromisso e à negociação: resolve conflitos através da negociação.
Aceita que os outros pensem de forma diferente de si; respeita as diferenças e não as rejeita.
Trabalho em equipa
Para trabalhar em equipa, é essencial a cumplicidade, o respeito mútuo, a valorização de diferenças individuais adequando-as às atividades. Assim, as diferentes capacidades de cada membro da equipa serão valorizadas e estimuladas.
As relações interpessoais são necessárias e os conflitos sempre existirão. A qualidade com que conseguirá lidar com essas questões determinará em grande parte o sucesso e satisfação quer pessoal, quer profissional.

Como Gerir conflitos?
 Crie um clima adequado;
Separe as pessoas dos problemas;
Esclareça as perceções;
Concentre-se nos interesses e não nas posições;
Procure criar opções que sejam favoráveis a ambas as partes,
Insista em critérios objetivos e mantenha o seu comportamento controlado;
Coloque-se no lugar do outro e fale sobre o futuro, a fim de procurar estabelecer acordos de benefícios mútuos.

Outros aspetos a considerar:
• Ser prudente nos conflitos a administrar é uma atitude muito útil, pois nem todos merecem o seu empenho e esforço e, principalmente, procure avaliar quem está envolvido nele - conheça os envolvidos para que não entre em controvérsias de antemão perdidas.
• Para prevenir conflitos é essencial estar presente no ambiente de trabalho, deslocar-se, ser e estar acessível. Também é imprescindível saber comunicar, isto é, utilizar uma linguagem compreensiva para quem ouve, mostrando disponibilidade para ouvir, tentando colocar-se no seu lugar (empatia), argumentando sem ofender, incentivando o diálogo e a participação do outro na busca de soluções.
• Para lidar com pessoas, deve compreendê-las e ter flexibilidade de ação (comportamento). A atitude comunicacional, obviamente, deve variar conforme a situação e a pessoa.
• Uma boa gestão de conflitos também implica desenvolver a afetividade, visando a aproximação e o conhecimento recíproco, a demonstração de interesse pelos problemas dos outros, estabelecendo fios condutores para conciliar expetativas recíprocas.
• A comunicação é a base que favorece processos de mudança, através de procedimentos e novas ideias que ajudem na adaptação ao meio.
Esta temática foi o alvo da nossa formação, que decorreu de fevereiro a maio de 2016, na EB Afonso de paiva, e da qual deixamos algumas imagens!
                                                                                                                   A Psicóloga
                                                                                                     Cidália Ribeiro
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Mais fotografia em (publicação de 13/06/2016): https://www.facebook.com/afonsodepaiva/

quarta-feira, 27 de abril de 2016

A importância do toque, os laços afetivos e a manutenção do equilíbrio emocional

Eu acredito que é possível conhecer o grau de apoio que o outro tem a dar através de um longo abraço.

Na década de 40 do século passado, os profissionais de saúde tinham já uma apurada consciência da presença de bactérias e microrganismos, e dos riscos que esses implicavam para a saúde dos bebés recém-nascidos. A mortalidade infantil nos EUA era nessa altura elevadíssima, pelo que, nos hospitais, tentavam não tocar muito nos bebés, nem sequer pegá-los ao colo.
O psicanalista René Spitz andava nesta fase intrigado com um fenómeno que se constatava nas instituições em que os bebés eram separados das mães (órfãos ou filhos de presidiárias): era nestas instituições em que a mortalidade era maior, mesmo quando se encontravam bem equipadas e com boas condições de higiene.
René Spitz debruçou-se sobre este assunto, vindo a concluir, com a sua investigação, que o contacto humano e a interação afetiva são indispensáveis para a sobrevivência do ser humano nos primeiros tempos de vida.
É por isso que, hoje em dia, quando nasce um bebé prematuro, é provável que, na unidade de cuidados intensivos, seja pedido à mãe para colocar o bebé junto ao peito, num gesto de afeto que os profissionais de saúde designam por técnica do canguru. Os números são reveladores: a Organização Mundial de Saúde assinala que esta prática reduz as infeções nos recém-nascidos em cerca de 50%.
A importância deste aconchego está patente numa outra experiência que se tornou bem conhecida da ciência. O psicólogo Harry Harlow descobriu que os macaquinhos-bebé, quando separados dos outros membros da família, preferem uma máquina fornecedora de comida que se pareça com uma mãe-macaco, em vez de tubos, manípulos e manivelas. É também nesta "mãe" substituta que os macaquinhos se refugiam perante um estímulo assustador. Harlow acha que a evolução colocou o primeiro alimento dos mamíferos no peito das mães, não pelas vantagens do leite, mas para garantir que eles passem mais tempo juntos e estabeleçam laços.

O psicanalista John Bowlby foi revolucionário nos anos 50 ao defender que os bebés nascem com o instinto, a necessidade inata de estabelecer uma ligação com a mãe, ligação esta que ele designou de vinculação. De facto, desde então, muitos têm sido os estudos realizados sobre a relação mãe-bebé, designadamente os de Mary Ainsworth, que aprofundou o impacto  da vinculação no desenvolvimento e na personalidade da criança. Efetivamente, a importância da vinculação reconhece-se hoje incontornável. A pessoa mais próxima do bebé, geralmente a mãe, assume o papel de figura de vinculação e constitui-se como base segura, de onde o bebé parte para explorar e descobrir o mundo, mas onde regressa à procura de conforto e segurança, quando se sente ameaçado ou em perigo. A qualidade da vinculação interfere no comportamento e bem-estar dos indivíduos, em diversos momentos e vários domínios do seu desenvolvimento, inclusive na idade adulta. Com base na mesma teoria, diferentes investigadores (Muderrisoglu, Levy, Jordan, Searle) constataram que indivíduos que estabeleceram uma boa vinculação, em comparação com sujeitos cuja vinculação foi mais pobre, revelam valores mais baixos de stress, usam estratégias defensivas mais adequadas, são menos impulsivos e menos propensos à depressão, agressividade, consumo de álcool e drogas, raiva e ansiedade. Contudo, estas implicações não constituem uma condenação obrigatória, pois, segundo Maria Cristina Canavarro, investigadora da Universidade de Coimbra, as relações estabelecidas pelo adulto podem ter um importante papel reparador. No livro que resume a sua pesquisa, Relações Afetivas e Saúde Mental, Maria Cristina Canavarro assinala que a saúde mental das pessoas que sentem que tiveram pouco suporte emocional dos pais na infância ou na adolescência depende da qualidade das relações afetivas que vieram a vivenciar na idade adulta.
No fundo, a importância do contacto físico, da proximidade, da segurança do afeto, do amor permanece durante toda a vida. Em 2000, os psiquiatras Thomas Lewis, Fari Amini e Richard Lannon juntaram-se para compilar décadas de conhecimento transdisciplinar sobre o amor. No seu livro Uma Teoria Geral do Amor, reforçam que "as crianças não são as únicas cujos corpos reagem à complexidade de uma perda: a função cardiovascular, os níveis das hormonas e os processos de imunidade passam por alterações nos adultos que sofrem uma separação prolongada".
Muitos autores referem que o toque, o abraço, são extremamente terapêuticos, como é o caso da enfermeira Dolores Krieger que demonstrou, na sua investigação em meio hospitalar, que o toque produz significativas alterações fisiológicas em pessoas com diferentes tipos de doenças. Professora na Escola de Enfermagem da Universidade de Nova Iorque, Dolores Krieger  conduziu diferentes estudos sobre os efeitos do toque e, repetidamente, verificou que, quando a pessoa é tocada, o "nível de hemoglobina no sangue aumenta, o que representa uma maior oxigenação de todos os órgãos do corpo, incluindo coração e cérebro. O aumento da hemoglobina ativa todo o corpo, previne doenças e acelera a recuperação do organismo no caso de alguma enfermidade."
Sue Gregory e Julie Verdouw estudaram o impacto do toque terapêutico na diminuição da dor em pessoas com várias patologias, tendo encontrado uma impressionante diminuição de 40%. Verificaram que feridas cirúrgicas cicatrizam mais rapidamente e desenvolvem menos infeções, as queimaduras recuperam melhor, e o medo e a ansiedade são mais fáceis de gerir.
David Bresler, psicólogo, enquanto fundador e diretor da Unidade de Controlo da Dor da Universidade da Califórnia, também chegou a receitar abraços aos seus pacientes, assim como o reconhecido psiquiatra da Fundação Menninger, Dr. Harold Voth. Segundo o mesmo, e tendo já sido provado que a depressão influencia o sistema imunitário, os abraços - enquanto manifestação física de afeto - funcionam como um excelente antidepressivo, reforçando o sistema imunitário. De tal forma que a enfermeira Katheleen Keating escreveu um livro intitulado A Terapia do Abraço.
Com todos estes benefícios, é simples perceber como o "movimento de abraços grátis" se estendeu a mais de 80 países, segundo o site da Free Hugs Campaign (http://www.freehugscampaign.org/). Tudo começou quando, em 2004, o australiano Juan Mann decidiu colocar-se no cruzamento mais movimentado de Sydney segurando um cartaz onde se lia, dos dois lados, "abraços grátis"!
Este gesto correu mundo e o princípio é simples: oferecer um abraço a um desconhecido, fazer o dia de alguém um pouco melhor... relembrando como, atualmente, o amor e as manifestações de afeto são tantas vezes relegadas para segundo plano.
No seu livro, Thomas Lewis, Fari Amini e Richard Lannon lembram Walker Percy: “o homem moderno alheia-se da essência, da sua própria essência, da essência das outras criaturas do mundo, da essência transcendental. Ele perdeu algo - o quê, ele não sabe; só sabe que está aborrecido de morte, por causa de o ter perdido”. Dizem os autores que "o elemento misterioso ausente, consiste numa imersão profunda e duradoura em laços comunitários. O amor, em todas as suas formas variadas e múltiplas, é o eixo em torno do qual rodopiam as nossas vidas. Sem essa âncora biológica, todos nós somos atirados para fora, sozinhos, para uma escuridão nociva".
Por este motivo, há também quem se tenha lançado de pés e cabeça à procura de uma nova forma de viver. A Humaniversity foi fundada em 1978, na Holanda, sendo uma comunidade terapêutica e ao mesmo tempo uma escola. Descreve-se como uma universidade para o crescimento, desenvolvimento e realização do ser humano. Funciona como uma família estendida que se rege pelos valores do amor, respeito, cuidar uns dos outros, responsabilidade, cooperação e honestidade. Diz Veeresh, o fundador, que o ser humano precisa primeiro de amor, depois precisa de amar e, finalmente, neste processo de dar e receber, é criado o amor por si próprio. A amizade, o elemento central em estudo na Humaniversity, é considerada a mais elevada experiência da arte de ser humano (http://humaniversity.com/).
E se a Universidade da Amizade parece demasiado afastada da realidade do nosso dia-a-dia, é altura de prestar atenção a uma professora de Enfermagem da Universidade do Colorado. Além de autora com publicações a nível internacional, tornou-se também mentora de enfermeiros no mundo inteiro que mudaram o seu trabalho de acordo com as suas orientações (designadamente as Escolas Superiores de Enfermagem de Angra do Heroísmo e Maria Resende, em Lisboa). Diz a autora: “em vez de nos perguntarmos como nos podemos atrever a trazer amor para as nossas vidas e para o nosso trabalho, podemos perguntar-nos, como podemos suportar não o fazer?".
Aguardemos o futuro em que a "ciência do amor" conquiste o espaço merecido nas prioridades do sistema de saúde, no Ministério da Educação, no Código do Trabalho, na ação dos políticos e na nossa lista de prioridades quotidianas.
Eu acredito que é possível conhecer o grau de apoio que o outro tem a dar através de um longo abraço. E além de apoio e segurança, é comprovado que o abraço faz bem à saúde.
Sendo assim, um abraço a todos!

A Psicóloga Cidália Ribeiro

sábado, 12 de março de 2016

Mudanças e Zona de Conforto

Quando utilizamos a expressão “zona de conforto” referimo-nos a pensamentos, comportamentos, hábitos, rotinas com os quais estamos familiarizados, que não nos causam medo, ansiedade ou nos colocam em risco. Nessa zona pautamo-nos por desempenhos constantes e relativamente satisfatórios. No entanto, esta sensação de segurança pode iludir-nos, limitando o nosso crescimento (emocional, profissional…).
A zona de conforto é um estado tão familiar que muitas vezes não nos apercebemos que estamos inertes ou a estagnar.
Na minha experiência enquanto psicóloga, confronto-me muitas vezes com o desafio de estimular as pessoas que acompanho (crianças, jovens, adultos) a desenvolver ações que lhes facilitem os seus objetivos, resolvam ou minimizem os seus problemas, ou promovam comportamentos saudáveis. A alimentação adequada, o exercício físico, deixar um mau relacionamento, iniciar um novo empreendimento, mudar uma crença, ser mais assertivo -  estes são alguns dos muitos desejos que as pessoas, normalmente, querem realizar, mas falham na iniciativa ou, quando a tomam, demonstram dificuldades na motivação e na persistência para atingir o objetivo.
E por que motivo estas situações acontecem?
Evitamos a mudança porque, de uma forma ou de outra, a mudança envolve diferentes tipos de dor. Se queremos perder peso, temos de enfrentar a “dor” da privação dos alimentos de que tanto gostamos. Se quisermos terminar um relacionamento, temos de enfrentar o fantasma da solidão. Se queremos começar um novo negócio, temos de enfrentar a possibilidade do fracasso. Se pretendemos mudar uma crença, temos de lidar com uma nova forma de pensar. Se queremos ser assertivos, temos de aprender a comunicar melhor e a estar atentos às nossas reações, bem como às consequências dos nossos comportamentos.

O desconhecido!
Mudar é crescer… Mude começando devagar!
Não mudamos por medos e inseguranças, vivendo agarrados a hábitos. Esta é uma atitude constante para controlar o que não se consegue controlar!
Veja o mundo noutras perspetivas…
Sugestões:
▪ Sente-se noutra cadeira, no outro lado da mesa e, mais tarde, experimente mudar de mesa.
▪ Quando sair, procure caminhar no outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde passa.
▪ Mude de direção nas estradas que habitualmente percorre.
▪ Mude por uns tempos o estilo das roupas, dê os objetos que já não usa, deite no lixo o que é velho, que acumula e já não serve.
▪ Procure andar descalço de vez em quando...
▪ Aproveite uma tarde inteira para passear livremente na praia, no campo, e ouvir o canto dos passarinhos.
▪ Abra, feche as gavetas e portas com a mão esquerda, ou direita…
▪ Durma no outro lado da cama. Depois, procure dormir noutras camas…
▪ Assista a outros programas de televisão, compre outros jornais, leia outros livros.
Não faça do hábito um estilo de vida!
Mantenha uma postura de abertura face à novidade!
Tente!
▪ Durma mais tarde... ou mais cedo.
▪ Coma um pouco menos, ou um pouco mais; escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novos sabores.
▪ Compre pão noutra padaria/pastelaria.
▪ Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
▪ Tome banho em novos horários, use gel de banho diferente.
▪ Troque de bolsa, de carteira, de mala...
Mude!
Lembre-se de que a Vida é uma só!
E pense seriamente… de que forma, no trabalho e no seu dia a dia, se poderá tornar alguém mais digno, mais humano!
Seja criativo!
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude de novo.
Experimente outra vez!
Certamente, conhecerá coisas melhores e outras piores do que as conhecidas, mas não é isso o que importa. O mais importante é flexibilizar a resistência que todos temos face à mudança.
Aventure-se um pouco para além da sua zona de conforto!
Que estas sugestões possam ser consideradas como um convite à reflexão, pois somos competentes para gerir o nosso próprio conhecimento e a nossa aprendizagem!
Também a reflexão sobre esta temática constituiu o ponto de partida para a ação de formação “Gestão de Conflitos”, iniciada neste mês de março para o Pessoal Docente do AE Afonso de Paiva, e da qual daremos notícia.

A Psicóloga Cidália Ribeiro

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Como Estudar?

Muitos dos insucessos escolares têm origem na ausência de um método de estudo, na irregularidade dos hábitos de trabalho, na má distribuição do tempo ou em falhas que podem não parecer ter grande importância, mas que influenciam os resultados escolares a curto e a longo prazo.
Nas tarefas relativas ao estudo tem presente os seguintes aspetos.
 O medo de tirar maus resultados é o pior empecilho para o estudo. Não estudes apenas por notas, mas também porque aprender contribuirá para ficares diferente e mais bem preparado para a vida.
 Dedica-te a todas as disciplinas. No teu horário semanal de estudo deves contemplar todas as disciplinas, bem como o tempo que vais estudar cada uma delas.
 Deverás dedicar mais tempo às matérias em que sentes mais dificuldades, mesmo que gostes menos da disciplina em questão.
Não confundas não gostar do professor com não gostar da matéria.
 Se estás preocupado com algum problema, não adianta tentares estudar se não conseguires estar concentrado. Procura conversar com alguém.
 Não estudes de seguida duas matérias parecidas. Intercala Línguas com Ciências da Natureza/Biologia, Matemática com Geografia, etc…
 Evita procurar desculpas para não teres de enfrentar uma dificuldade e desistires. A persistência e a motivação são a chave….
 Antes de iniciares uma tarefa de estudo, planeia a tua sessão para te orientares: fazer revisões de um capítulo? Compreender um assunto que não ficou suficientemente claro durante a aula? Traçar um gráfico? Comparar a informação que obtiveste na aula com a que o teu livro apresenta sobre o mesmo assunto, pesquisar sobre determinado tema?
           Inicia uma sessão de estudo por uma visão global da matéria. Vai até ao final… No final, faz um resumo do que conseguiste reter. No entanto, esta não se pode considerar uma aprendizagem efetiva. Estudando deste modo, apenas se consegue uma visão superficial da matéria!
           Consulta o dicionário para que não fiquem palavras no texto ou no problema cujo significado não seja absolutamente claro. Estás, agora, na fase analítica. Não deixes frases e períodos sem compreensão integral.
  Faz desenhos, esquemas e esboços do assunto. Tornar visível o que se estuda facilita a compreensão.
Sublinha, põe sinais ou notas nas margens do livro. Ajudar-te-á a recordar aspetos essenciais.
 Responde às tuas próprias perguntas. É uma boa forma de conseguires perceber o que não ficou bem assimilado.
 Chegou a hora da síntese. Regras, definições e esquemas são sínteses. Elimina tudo o que não for fundamental. Fica com o essencial.
 Faz, agora, o controlo: vê se sabes aplicar o que pensas ter aprendido. Não se trata de repetir apenas… Tenta aplicar em novas situações, por generalização – um caso mais difícil, ou por transferência – um caso diferente.
 Não adianta efetuar longos períodos de estudo. Divide os períodos em pequenas etapas, intercaladas de alguns minutos de intervalo.
  Durante os períodos de estudo, deverás fazer intervalos de 5 a 10 minutos, em cada 30 minutos.
  Uma sessão de estudo não deverá ultrapassar 3 horas seguidas ou, então, se o período de estudo perfizer 4 horas, faz uma pausa intercalar de 30 minutos.
Nunca te esqueças que quando não consegues aprender alguma coisa será porque falta algo que serve de base à nova aprendizagem ou tipo de atividade. Procura conhecer-te em cada etapa da tua aprendizagem.
Seguindo estas estratégias, saberás aperfeiçoar as tuas capacidades e desenvolver outras necessárias à tua vida de estudante.

 BOM TRABALHO!
                                                                                              A Psicóloga do SPO
Cidália Ribeiro